Steven Johnson em seu livro Emergência: a Vida Integrada de Formigas, Cérebros, Cidades e Softwares, fala sobre o conceito de sistemas emergentes e suas aplicações. O conceito de Emergência pode ser entendido como um sistema colaborativo, onde muitos agentes constroem uma organização interna que não corresponde a um tipo de ordem, ou instrução externa que venha de um nível mais alto. Temos a capacidade de criar coletivamente, usufruir de uma inteligência coletiva para o nosso próprio benefício. Cada vez mais conseguimos observar essa criação coletiva através dos espaços na interner como o Wikipédia, 9gag os blogs e o Youtube.
O último, especialmente, se configura hoje em uma espécie de janela para a fama. Muitos vídeos ficam famosos tornando as pessoas envolvidas espécies de celebridades instantâneas, que de uma hora para outra estão na mídia. Muitas vezes o vídeo inclusive migra para outras mídias como a televisão como é o caso de PC Siqueira e Felipe Neto que tinham canais no youtube e que devido ao número de acessos elevado dos programas foram contratados por emissoras de TV (MTV e MultiSHOW). Outras vezes, o vídeo permanece na rede, mas sofre mudanças feitas pelos próprios expectadores.
Neste ponto tocamos a questão da influência dos receptores sobre a mensagem e os emissores. Jenkins, em seu livro “Cultura da Convergência”, fala sobre a mistura entre o poder do produtor de mídia e o do consumidor, e da apropriação coletiva e popular onde são os consumidores que movem a circulação de conteúdos. No caso do Youtube além do fato de o site ser construído pelos próprios consumidores, os próprios consomem e modificam uns aos outros.
Um fato muito interessante que acontece com os vídeos famosos do Youtube é a criação de “remix” e músicas feitas pelos próprios espectadores dos vídeos, que os modificam e produzem novos produtos audiovisuais que promovem paródias e assim por diante. Na maioria da vezes são cenas cotidianas nas pessoas, que com ou sem intenção acabam por virar grandes ícones da internet por um determinado período. Um exemplo é o antigo “Charlie bit my finger” (que confessamos, ainda nos faz rir) que mostra uma cena cotidiana de dois irmãozinhos. Por ser uma cena singela, verdadeira faz com que nos relacionemos com ela, afinal todos já passamos por algo parecido quando penenos. O vídeo gerou inclusive imitações que também foram bastante acessadas.
Outro exemplo mais recente de vídeo que virou remix foi o “Uma Estrela que brilha,brilha,brilha”. Algumas meninas resolvem fazer uma homenagem para a amiga que está fazendo 15 anos e uma delas começa a rir.
Dessa cena cômica surgiu o remix, que fez ainda mais sucesso.
Assim como esse vídeo existem muitos outros, por exemplo Double Rainbow e Bed Intruder, que são vídeos, o primeiro caseiro e o segundo de um telejornal, que foram remixados por um grupo de irmãos americanos que fazem de seus remix produções musicais mais sofisticadas.
No youtube tudo está conectado e todos são capacitados de interagir coma produção Audiovisual apresentada pelo site. Através do youtube, facebook e twitter, não só quem produz mas também quem consome esses produtos culturais pode influenciar as mídias e mudar o rumo desse produto. A reapropriação dos vídeos por que os assiste se torna óbvia e atravessa as barreiras no próprio Youtube, chegando ao Facebook, Twitter, etc.















